Fotografia analógica – É mais divertido do que você imagina!

OK!!!
Hoje quero conversar um pouco com vocês sobre fotografia analógica e porque ela é tão importante para qualquer fotógrafo, além disso quero compartilhar algumas imagens que eu fiz recentemente usando filme.
O que é fotografia analógica?
Essa é uma dúvida muito válida, muitas pessoas podem não conhecer o termo e estarem se perguntando o que é isso. A fotografia analógica é a fotografia que veio antes da era digital, ou seja é a fotografia de filme. Aquela em que você fazia a foto e tinha que esperar para ver o resultado. Muitas pessoas (Incluindo eu mesmo), não vivemos essa era da fotografia e muitas vezes nunca chegamos a encostar em um rolo de filme.

Rolos de filme Kodacolor 200

Porque fotografar com filme em plena era digital?

Bom essa é a grande pergunta deste post né?! Por isso eu preparei este vídeo para vocês. (Se eu fosse escrever o porque disso eu iria fazer uma monografia, não queremos isso, não é mesmo?)

Onde e qual filme comprar pela primeira vez?

Então já está convencido que é legal fazer fotografia analógica? Está na hora de comprar seu primeiro rolo de filme e começar a brincadeira. Se você mora em São Paulo, o melhor lugar para comprar isso é no centro perto da rua 7 de Abril, lá você acha os mais diversos tipos de filme. Recomendo muito a Foto Ferrara (Lá eles também revelam) e a Angel Foto (ela geralmente é mais cara).

Quanto ao tipo de filme, o modelo podemos dizer. Acho legal começar com um Kodacolor 200. É um filme colorido com ISO 200, podemos dizer que é o mais comum e básico para se começar e você encontra ele por volta de R$ 20,00.
Se você não mora em São Paulo e quer comprar um rolinho de filme recomendo comprar pela Amazon Brasil! Você pode encontrar esse filme neste link aqui! (Se comprar através desse link você estará ajudando a manter esse blog e o canal!).
Depois que você se divertir com o Kodacolor 200, você pode experimentar algum filme preto e branco. Esses filmes geralmente custam mais caro, mas tem uma qualidade superior. Recomendo o Ilford Pan F ISO 50 ou o Kodak T-Max ISO 100! 
O diferencial destes dois filmes, além de serem preto e branco, é a sensibilidade de cada um, eles têm uma sensibilidade menor o que pode dificultar um pouco as fotografias em baixa luz!

Qual câmera usar?

Essa pergunta não é tão importante, mas recomendo usar uma câmera que tenha modo manual. Se você só tiver câmeras compactas e não quiser investir nisso no momento use elas e seja feliz, mas se você tiver um dinheirinho guardado recomendo ir atrás de uma câmera anlógica com modo manual. Eu gosto de usar a Nikon FM10 que tem lentes intercambiáveis e é praticamente uma câmera profissional da época do filme, você consegue achar ela para comprar no Mercado Livre por volta de R$500,00 (mas os valores podem variar dependendo do estado e do vendedor).

Câmera Analógica Nikon FM10

Outras câmeras super populares para fotografia analógica são as Pentax e Zenit! Você consegue achar elas por um valor acessível e elas vão oferecer tudo o que precisa para brincar com os filmes!

Ok! Fiz minhas fotos e agora?

Uma vez feita as fotos você vai precisar revelar elas. Esse processo pode demorar 1 Dia ou 1 Mês dependendo do lugar que você levar. Eu sempre levo no Foto Ferrara e geralmente demora umas 2 Semanas para revelar 1 filme e escanear e o valor fica por volta de R$22,00. Se você não está em São Paulo, acredito que você possa entrar em contato com o pessoal da Foto Ferrara e enviar o rolo de filme via correio, mas recomendaria procurar algum lugar na sua cidade (pode ficar mais em conta).

Filme revelado

Agora que você já fez tudo, basta aproveitar as suas fotografias e compartilhar com o pessoal! Ficarei muito feliz se você me marcar nas suas fotografias! (@gowinther)
Espero que tenham gostado e espero que façam algumas fotografias com filme! Seguimos clicando!
Gustavo Winther

 

 

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Princípios da Fotografia! – Aprenda os conceitos básicos para dominar sua câmera!

OK OK!!

Há tempos não posto aqui no Blog, abandonei ele? Não, apenas estou postando mais no meu Canal do YouTube! Recomendo você passar por lá se você gosta de produção audiovisual e fotografia estou dando muitas dicas sobre os temas!

Bom meu nome é Gustavo Winther  e hoje vim trazer alguns conceitos básicos da fotografia. Quem acompanha meu canal já viu a série princípios da fotografia abordo temas básicos para qualquer fotógrafo. No post de Hoje quero trazer os conceitos sobre como usar o Modo Manual  da sua câmera.

O que é o Modo Manual?

Todo mundo que começa a fotografar cedo ou tarde vai se deparar com o desafio de aprender a usar o modo manual. Ele não é nenhum bicho de 7 cabeças, então, para começar, o que é esse tal modo manual? (Rimas a parte, mas ficou legal).

Modo Manual em uma Câmera DSLR

A câmera fotográfica busca equilíbrio! Toda vez que você aponta para uma cena ela processa todas as diferentes fontes de luzes e “decide” qual é o equilíbrio de luz para aquela imagem, ou seja, ela sempre tenta achar qual é o ponto em que tudo fica “iluminado”, fazendo todo esse processo de uma maneira automática. Ela controla, a partir de 3 grandezas (ISO, Velocidade e Abertura), o quanto de luz vai entrar na câmera para se ter uma imagem equilibrada.

O modo manual da câmera é para você liberar a capacidade de controlar individualmente essas 3 grandezas e decidir o quanto de luz entra ou não na sua câmera. Isso é a famosa Fotometria.

Fotometria é o termo para uma escala de quantidade de luz que está presente em todas as câmeras.

Fotometria Ilustração

Ele indica como a fotografia vai ficar, se vai ficar mais clara ou mais escura, mas para você controlar isso é necessário você entender as 3 grandezas da fotografia ISO ou sensibilidade, Velocidade do Obturador e Abertura da Objetiva.

O que é ISO?

Vamos começar falando sobre o ISO ou sensibilidade do sensor. Toda câmera digital tem um sensor que é sensível a luz, antigamente nas câmeras analógicas esse sensor era o Filme Fotográfico. Esse sensor mede a sensibilidade em ISO. Quanto maior o valor do ISO, mais sensível a luz ele está. Quanto menor o valor ISO menos sensível ele está a luz!

Veja o vídeo que eu esclareço todas as suas dúvidas!!!

Como eu disse no vídeo. Se você usa um ISO de 200 o seu sensor está pouco sensibilizado a luz sendo assim a fotografia fica mais escura. Se você usa um ISO de 1600 o seu sensor está super sensibilizado à luz e sua foto vai ficar mais clara.

E vale lembrar do aspecto estético da imagem! Quanto maior for o ISO da sua câmera mais granulação vai ter na sua fotografia, quanto menor o ISO menos granulação vai ter sua foto, veja o exemplo a seguir!

Sensibilidade ou ISO

O que é Velocidade do Obturador?

A segunda grandeza de uma câmera fotográfica é a Velocidade do Obturador. Esse valor é medido em segundos e frações de segundos e pode variar de 30 segundos até 1/4000 segundo.

Para entendermos a velocidade precisamos entender a mecânica básica de uma câmera. Toda câmera tem uma peça chamada obturador ele fica entre a lente e o sensor e a função dela é controlar o período de tempo que o sensor recebe luz. Temos que pensar o obturador como uma janela que abre durante um certo período de tempo para a luz entrar no quarto. Quanto mais tempo aberto mais luz o quarto recebe e mais claro ele fica. Quando menos tempo aberto menos luz  o quarto recebe e mais escuro ele fica.

Veja o vídeo abaixo onde explico perfeitamente tudo isso!

A velocidade assim como o ISO controla outro aspecto estético da imagem. Quanto mais lento for a velocidade do obturador mais “Borrado” vai ser a fotografia e quanto mais rápido for a velocidade mais “congelada” vai ser a imagem, confira ao exemplo a seguir!

Velocidade do obturador

O que é Abertura do diafragma ou f-stops?

A abertura ou F-stops diferente das duas outras grandezas é uma função da objetiva. Cada objetiva tem uma abertura diferenciada. Essa abertura é responsável pela quantidade de luz que entra na câmera. Ela tem valores que varia de f/1.4 até f/22. Sendo que f/1.4 é o diafragma super aberto, ou seja que permite muita entrada de luz e f/22 é o diafragma super fechado, ou seja que permite pouca entrada de luz.

Um pouco confuso né? Confere o vídeo que não fica nada confuso!!

Além disso a abertura controla um aspecto estético da imagem. Ela controla a profundidade de campo e campo focal da sua fotografia. A imagem é formada por pequenos círculos de luz, quando colocamos uma objetiva para intermediar o processo entre luz e sensor nós adicionamos características estéticas como por exemplo o foco, a habilidade de poder escolher que área da imagem vamos focar. Além disso com a adição do diafragma para controlar a entrada de luz, que é um grande círculo, nós conseguirmos controlar o tamanho do círculo de luz que irá formar a imagem e por consequência isso interfere no capo focal da imagem, que é a área possível para se fazer o foco. Quando mais fechado o seu diafragma for (EX: f/22) maior vai ser seu campo focal. Quando mais aberto for seu diafragma (EX: f/1.4) menor vai ser seu campo focal e mais desfoque vai ter sua fotografia. Confira a imagem abaixo que exemplifica tudo isso!!

Abertura do Diafragma ou F-stops

Essas são as 3 grandezas da fotografia e a partir do entendimento delas e de como cada uma funciona você vai buscar a fotometria correta para sua imagem.

E agora? Vai usar o Modo Manual para fazer suas fotografias? Espero que tenham gostado do artigo, não se esqueçam de dar uma olhada no canal do YouTube! Vejo vocês no próximo!

Gustavo Winther

Processos Criativos – Vídeo

Quem nunca teve uma ideia, mas não soube desenvolver? Isso é mais comum do que você pensa! Tudo isso é parte do processo criativo. Hoje vim falar um pouco sobre esse assunto e dar algumas ideias do que ele é, e como tentar entender, um mínimo, desse processo.

Porque criar?

Essa é uma pergunta muito importante, e talvez, o ponto de partida para você que quer criar algo. Temos que nos perguntar por que queremos criar algo, seja o que for. O ato de criar é um processo digestivo da mente, e quando criamos estamos colocando para fora do nosso corpo sentimentos, angústias, questões pessoais, reflexões e etc. Por isso a pergunta “porque criar?”  é tão importante, pois conseguimos assim, identificar o que queremos dizer para os outros e ficando mais fácil escolher como vamos dizer, o que nos leva à outra questão…

Como vamos contar o que sentimos?

Essa é uma questão importante, como você quer contar aos outros o que você sente? Você pode fazer de várias maneiras como, uma pintura, uma fotografia, um vídeo, um texto, um poema e por aí vai. São infinitas as maneiras de comunicar os sentimentos, o que é importante, é encontrar aquela que, segundo você, represente melhor seus sentimentos. Veja meu caso, a fotografia e o vídeo são as minhas maneiras de transcodificar minha mente em algo mais palpável, e isso é muito pessoal. Existem pessoas que se expressam pela escrita, tem outras que se expressam pelo corpo, etc… O importante é descobrir qual a maneira que você se sente melhor para se expressar.

O medo do julgamento

Criar é algo tão complexo e pessoal que sempre temos medo de sermos julgados pelo o que criamos. Nos importamos muito com a opinião alheia e o que o “outro” vai pensar. Isso sempre prejudica um pouco, claro que ter a opinião do outro sobre o que criamos é importante, mas devemos ter cuidado para que a nossa criação não se torne a criação do outro.

Nunca se limitar

O mais belo do processo criativo é poder imaginar tudo o que queremos e nunca nos limitar. Claro que, quando vamos colocar em prática, algumas coisas não são possíveis por diversas questões, como orçamento ou viabilidade, mas em um primeiro momento da criação, o fato de imaginar além do impossível é primordial e prazeroso.

A criação não tem receita, não tem certo ou errado. É uma manifestação do ser humano. Fiz um vídeo (um primeiro teste nesse estilo) dando 3 dicas simples para ajudar vocês a entenderem mais ainda seu processo criativo e conseguir aumentá-la. Espero que gostem do material!

 

Gustavo Winther

Fotografia Documental

Mais um semestre acabou! Como alguns sabem, eu faço o Bacharelado em Fotografia do Centro Universitário SENAC, e durante esse semestre eu tive várias matérias como Still Life, Edição Audiovisual, Direção e Iluminação de retratos e Fotografia Documental. Dentre todas, a última foi uma das que eu mais produzi fotografias. Tivemos um tema de fotografar os patrimônios históricos de São Paulo, podíamosabordar o tema de diversas maneiras, quando comecei, tinha em mente fazer os patrimônios da maneira mais clichê possível, que seria enquadrar o assunto naquele fim do dia onde o céu já esta todo roxeado, o famoso lusco-fusco. Produzi algumas fotografias nesse estilo, no dia da primeira apresentação mostrei essas fotos com mais algumas que tinha feito, que no começo não achei grande coisa, estando crente que ele ia olhar e falar que deveria seguir no lusco-fusco, mas para minha surpresa foi o contrário, ele virou para mim e disse “fazer o lusco-fusco é muito fácil. Você vai lá uma hora do dia, monta a câmera e faz a foto. Já esse outro estilo é mais desafiador, você tem que extrair leite de pedra”. Com isso em mente eu reparei que ele tinha razão, fazer o lusco-fusco não ia aumentar meu potencial, nem iria fazer o meu trabalho fotográfico melhorar, então decidi “extrair leite de pedra” e fazer fotos onde provavelmente não teria nada.

Esse foi meu post para finalizar o semestre, e como incentivo, eu digo para vocês, vamos sempre buscar desafios para melhorar nossas produções, por que o comum é muito fácil, por isso temos sempre que “extrair leite de pedra”. Espero que tenham gostado, qualquer dúvida, sugestão ou crítica estou a disposição, nos vemos em agosto!

Gustavo Winther

Falando sobre Analógico – Lomografia

Hoje vim falar sobre um estilo de fotografia que esta muito popular nos dias de hoje a Lomografia e falar um pouco da minha experiencia com essas camerazinhas. O nome se refere as imagens feitas com a câmeras analógicas Lomo que é uma marca criada nos anos 80 de máquinas fotográficas na Rússia. As Lomos são conhecidas por serem câmeras pequenas de plástico sendo que cada modelo de câmera produz um tipo de imagem, e além disso apresentam cores vibrantes e saturadas. Hoje em dia elas se tornaram muito popular pois a cultura Indie, que está em grande crescimento, se identificou com as imagens produzidas pela Lomo.

Há um tempo atrás eu ganhei (em um amigo secreto) uma Lomo, uma Super Sampler, que é uma câmera pequetita que eu adoro usar, estou sempre com ela na minha mochila. A Super Sampler é um modelo da Lomo com a característica de ter 4 lentes e por ter essa qualidade a imagem produzida tem 4 ângulos minimamente diferentes, mas que produzem uma imagem belíssima. Fora esse modelo a Lomo também tem a Fish Eye, que como o próprio nome diz, ela tem uma objetiva Fish Eye. Também tem o modelo mais conhecido da Lomo que é a Diana F, que tem várias variedades. A Diana produz uma imagem muito Retrô e com cores lindas e é uma das poucas Lomos que vem com um flash.

Bom, mas vamos voltar a falar da Super Sampler. Vou mostrar aqui algumas imagens que fiz com ela durante esses últimos meses, deem uma olhadinha:

Esses foram alguns dos resultados. Um pequeno detalhe, muitas pessoas me perguntaram o por quê da foto do trem esta amarelada. Acontece que quando usei esse filme não sabia como a câmera funcionava direito e um dia, sem querer, abri a parte de trás da Lomo e acabei “queimando” o filme um pouco, a sorte é, pelo menos eu acho que foi, que deixou a foto mais interessante, eu particularmente adorei esse efeito na borda.

Gustavo Winther

Processos Alternativos – O Papel Salgado e sua origem.

Nesse Post vou contar a história do Papel Salgado um dos primeiros processos para a captação de imagem pela luz. O Papel Salgado surgiu próximo do ano 1834 pelas mãos do Henry William Fox Talbot, um dos pioneiros da fotografia e inventor do Papel Salgado que se popularizou entre os fotógrafos da época no ano de 1840.

O Papel Salgado se trata de um papel comum de qualquer origem (Sulfite, cartolina, papel de arroz, papel cartão, etc.) que é fotossensibilizado para reagir com a luz. Antes de explicar como funciona o papel salgado vou explicar um pouco das reações que acontecem para a imagem ser formada quando exposta a luz. O principal fator da fotografia analógica é a prata ou algum outro tipo de ferro oxidável quando em contato com a luz. A prata quando exposta a luz oxida de maneira rápida, quando oxidada ela fica escura, repara naqueles talheres de prata que tem na sua casa, eles não ficam manchados de vez em quando? Isso acontece pois a prata reage com diversas coisas a volta dela e oxida criando aquelas manchas. A fotografia é isso, oxidação da prata.

Agora que expliquei como “funciona” a prata é mais facil explicar o papel salgado. Para fotossensibilizar uma papel para ele virar um papel salgado é bem simples, primeiro

Fotograma em papel Salgado

Fotograma em papel Salgado

você tem que passar no papel uma camada de ácido cítrico, Cloreto de Sódio misturados com água. Deixe secar e passe o Nitrato de Prata misturado com água (no final do post deixo uma tabela com as proporções certas de cada elemento). Feito isso espere o papel secar e a seguir pegue uma transparência “negativada” de uma foto sua coloque junto ao papel salgado. Nesta parte recomento colocar em uma prensa de vidro, espuma e madeira para o papel ficar bem grudado com a transparência, de alguma forma prense o papel contra um vidro, feito isso basta expor esse papel a luz, o tempo de exposição vai depender muito da fonte luminosa, a melhor coisa a se fazer é expor o papel a luz e ficar olhando para ele, você vai notar que ele começa a assumir uma cor acastanhada, quando chegar nesse ponto está bom.

Leve o papel para dentro de casa, retire ele da prensa e de um banho em água corrento para tirar o excesso de prata nele, se você tiver um fixador você pode dar um banho nele para fixar a prata. Fora isso você pode fazer uma viragem em ouro para assegurar que a imagem não vai desaparecer de maneira nenhuma, mas isso já aumenta bastante os gastos do processo, se está fazendo apenas para se divertir e conhecer mais, não se preocupe com o banho de ouro.

Bom você deve estar se perguntando porque eu decidi do nada falar sobre esse processo histórico, bom na verdade não foi do nada. No começo do ano fui a uma exposição no instituto Tomie Ohtake chamada SAL, feita pelo fotógrafo Ricardo Hantszchel aonde ele usou esse processo histórico do papel salgado para revelar as imagens. A exposição ficou

Imagem do ensaio SAL, por Ricardo Hantszchel

Imagem do ensaio SAL, por Ricardo Hantszchel

na minha cabeça, principalmente pelo uso do papel salgado como suporte, pois veja como o suporte foi usado no ensaio: é um ensaio que fala sobre uma salina que fica no rio de janeiro e seus trabalhadores, me diga se o suporte escolhido para a apresentação final das imagens foi bem escolhido? Eu particularmente acho que foi perfeitamente escolhida, pois o ensaio ganhou muito mais força com o uso desse suporte, e não foi um suporte usado do nada, ele teve um sentido e razão para ter sido usado.

Esse foi um dos motivos de eu ter vindo falar do papel salgado aqui primeiro, no meio da era digital o uso de um processos histórico pode surpreender se for usado com sentido e agregar conhecimento ao ensaio, não apenas para ser usado, segundo, conhecer os primórdios da fotografia te faz conhecer melhor a fotografia de hoje, “temos que estudar o passado para aprender sobre o futuro”, terceiro, mas não menos importante, fotografia é muito mais do que só apertar um botão, fotografia é ter ideias e conhecimentos e conseguir casar suas ideias com o seus conhecimentos em imagens.

Bom, como eu disse lá em cima vou deixar aqui as medidas corretas para preparar o Papel Salgado e vou deixar um vídeo que explica como fazer, o vídeo estou deixando mais para você visualizarem como é feito todo o processo.

Fórmula:

Banho de Sal

– 1000 ml de água

-20g de ácido cítrico

-20g de cloreto de sódio (Sal)

Banho sensibilizador:

-1000ml de água

-10g de Nitrato de prata

Essa é a proporção correta dos químicos, peguei essa receita no site imagineiro deem uma olhada neles!

E quem quiser ver como faz esse processo em 16 passos, veja esse vídeo aqui!

Se você tem interesses em fotografia analógica sugiro ler o meu post das Pinholes, aonde eu explico como fazer uma câmera com uma latinha de leite! Muito obrigado por lerem, dúvidas, sugestões, críticas e comentários estarei aqui a disposição!

Confira também o Blog da Alternativa Fotografia Clicando aqui! Lá você vai encontrar muito mais sobre processos alternativos!

ERRATA

Fui avisado pelo Fábio Giorgi do Alternativa Fotográfica  que a imagem, de sua autoria, antes apresentada neste artigo como um fotograma de papel salgado é um Lumem Print com aplicação posterior da Solução de Papel Salgado. Para os curiosos deixo o link da imagem basta clicar aqui!

Gustavo Winther

Objetivas – Uma pequena e rápida Introdução.

Vou fazer uma pequena introdução ao assunto das objetivas (popularmente chamadas de lentes). Vai ser um post bem simples e rápido, não vou fazer um aprofundamento desse assunto neste momento. Objetiva é um assunto complexo e demanda mais de um post para explicar, mas vamos pelo começo.

A Objetiva fotográfica é o que faz a imagem  ter uma boa nitidez e definição. Sempre que pensamos em objetivas temos que pensar em duas coisas: primeiro o seu angulo de visão e segundo a sua abertura, vou explicar abaixo.

Angulo de visão

Vamos começar pelo mais simples. O angulo de visão de uma objetiva é o corte que ela faz na situação que você esta enquadrando. As objetivas tem 3 grandes grupos as Grande Angulares, Normais e Teleobjetivas. Vou explicar uma-a-uma.

Grande Angulares

As grande angulares são objetivas com um grande angulo de visão, isso significa que ela tem como principal característica “afastar” as coisas do fotógrafo, ou seja dar profundidade na imagem . Elas geralmente são

Foto por: Felipe Guilherme

Foto por: Felipe Guilherme

muito usadas para fotos de paisagens e arquitetura justamente por ter essa qualidade de conseguir colocar tudo em quadro e são facilmente reconhecidas por “arredondarem” a imagem. A famosa lente Fisheye é uma ultra-grande-angular justamente por pegar todo o circulo da imagem. Como por exemplo a imagem ao lado, repare nas bordas da imagem e dá para perceber um arredondamento nas coisas e uma profundidade na imagem, você consegue definir o que está na frente e o que esta atrás.

Normais 

As objetivas normais tem esse nome pois são as lente que mais se aproximam do campo da visão humana, a mais conhecida dentre as normais é a 50mm. São objetivas bem

Foto por: Gustavo Winther

Foto por: Gustavo Winther

simples, mas com qualidade impecável em definição. Como a foto ao lado. Perceba que a 50mm não dá nenhuma distorção na imagem, como as Grande-angulares, porém os planos da imagem na 50mm começam a ficar “juntos” ou “achatados”, você começa a perder um pouco a profundidade de campo, o que nas grandes angulares é uma característica bem notável.

Teleobjetivas

São as lentes com a característica e aproximar as coisas em relação ao fotógrafo, ou seja ela é usada para quando você quer aproximar uma cena, mas está bem longe. Além disso ela, achata todos os planos de uma fotografia e fica difícil distinguir a distancia entre os objetos da imagem, elas parecem estar todas no

Foto por: Steve Mccury

Foto por: Steve Mccurry

mesmo plano. Como por exemplo a foto ao lado do grande Steve Mccurry. Perceba como as construções parecem próximas uma da outra, não parece existir uma distancia entre elas, isso se deve ao fato de a foto ter sido tirado com uma tele ou semi teleobjetiva, achatando os planos.

Abertura

Quando falamos de abertura estamos nos referindo à abertura do diafragma da câmera que é sempre representado pela letra f. O diafragma é aquilo que controla a entrada de luz, se entra muita ou pouca luz, mas fora isso ele também controla a profundidade de

Escala do Diafragma

Escala do Diafragma

campo e campo focal, ou seja ele controla a área que fica desfocada na foto ou não. Como isso funciona, o diafragma varia de f/1.2 até f/22 nas câmeras DSLR. Quanto menor o número mais luz vai entrar, quanto menor o numero menos luz vai entrar, como mostra a imagem ao lado. Sabendo disso classificamos as objetivas dentro de dois grupos as Lentes Claras que são objetivas com uma abertura minima de f/2.8 para baixo, ou seja que permite entrar muita luz. E também tem o grupo das Lentes Escuras que tem a abertura minima de f/3.5 ou seja elas não permitem tanta entrada de luz em situações escuras. Além disso, como eu havia dito, elas controlam a profundidade de campo da imagem isso quer dizer a área que fica em foco e a área que fica em desfoque. Quanto maior a abertura (menor o número), menor é o campo focal, ou seja menor vai ser a área de foco

Campo Focal

Campo Focal

na imagem. Quanto menor a abertura (maior o número), maior é o campo focal, ou seja mais elementos em na cena estarão em foco ou com nitidez. Veja a imagem ao lado por exemplo, ela é uma imagem bem didática sobre o assunto. Repare que no f/1.8 o campo focal dela são poucas letras do teclado, você vê uma pequena faixa com foco e nitidez. Já na imagem ao lado, no f/5.6, você tem um aumento no que consegue ver em foco e em nitidez e, no f/22, você consegue ver tudo em foco. Isso se deu apenas mexendo na abertura da câmera.

Bom como eu disse ia ser um post bem rápido. Espero que tenha esclarecido algumas coisas sobre objetivas, caso ainda tenham alguma dúvida, questão ou algo ficou mal explicado, por favor mandem suas perguntas e questões. Ficarei mais do que contente em ajudar.

Gustavo Winther

Referencias: Equipamento fotográfico – Thales Trigo

A Narrativa Fotográfica – Uma introdução a semiótica de Peirce

Uma imagem pode ter várias interpretações, todas elas verdadeiras. Por que digo isso? Simples: “uma imagem fotográfica é uma mensagem sem códigos” (Roland Barthes). Ou seja, ela te fala tudo o que você precisa saber, sem você precisar saber nada para lê-la. Veja a imagem abaixo do Cartier Bresson.

Você vê uma pessoa andando de bicicleta, uma escada, uma rua, você “entende” a fotografia e sabe descrever a foto, mas a sua interpretação da foto pode não ser a mesma que a minha. Eu posso dizer que ele está fugindo de algo, você pode dizer que ele está se exercitando, e ambas estão certas, pois nós “lemos” a fotografia de acordo com a nossa bagagem de conhecimento. Peirce, um estudioso que passou boa parte da sua vida

Foto: Cartier Bresson

Foto: Cartier Bresson

trabalhando a ideia de comunicação, criou uma tríade sobre a mensagem. Toda mensagem tem 3 fundamentos: primeiro, ela tem o objetivo de dizer algo e faz isso a partir de um signo; segundo, esse signo se refere à um objeto; e, terceiro, esse signo pode ter milhões de significados. No caso da imagem a cima, vamos pegar um elemento para analisarmos. O Ciclista, nessa imagem é um Signo, pois ele desloca a ideia de ciclista. Se você visse um ciclista aqui na sua frente agora ele seria um objeto, pois ele não esta deslocando mais a ideia de ciclista, ele esta deslocando a ideia de alguma outra coisa.  O signo é tudo aquilo que desloca uma ideia. Por exemplo, o meu nome desloca a minha imagem e minha imagem desloca meu nome; no primeiro caso, meu nome é o Signo, enquanto, no segundo caso, eu sou o Signo. Embora Peirce sugira um caminho para a interpretação, esta pode ser muito variada.
Vamos pegar o ciclista novamente. Ele é o signo, ou seja, ele é aquilo que você vê. Este signo se refere ao objeto representado na imagem. Se usarmos como exemplo a bicicleta, esta, por sua vez, gera em cada pessoa que a vê um significado diferente. Ou seja a fotografia está aberta a interpretações de diversas naturezas; não existe a interpretação certa ou errada, o que existe é o fotógrafo inteligente que te levou a pensar algo sem você saber que ele fez isso. Isso acontece toda hora na publicidade; a imagem é feita para te seduzir e induzir você a comprar algo. Quando você menos percebe, você já comprou, e tudo isso acontece porque o fotógrafo soube construir um signo, junto com o publicitário, e te levar a comprar aquilo apenas por “truques” visuais.

A possibilidade de a fotografia ter varias interpretações faz dela um instrumento poderoso. Sábio é o fotógrafo que assume a fotografia como a mentira que ela é, e conta uma mentira muito boa. A narrativa fotográfica é a capacidade de cada pessoa de olhar para uma foto qualquer e a partir dela criar estórias magníficas; é a criatividade em si. Peirce dizia que sempre que olharmos um novo signo devemos nos abrir para ele e sentir o signo, “desautomatizar” um processo chamado de Scanning. Isso é algo que ajuda muito em exposições: você perder tempo apenas sentido o que está vendo. O que a obra de arte traz para você? Quais as cores dela? Que sentimentos ela desloca em você? Se abrir aos signos é o primeiro passo para entender não só as fotografias ou imagens, mas o mundo pela semiótica do Pierce. Desautomatize os seus processos, veja tudo como se fosse pela primeira vez.

Referências: A Mensagem Fotográfica, Roland Barthes; Discussões de semiótica com Fernando Citroni.

Gustavo Winther

Veja Também!

Começando pelo começo – Cameras Pinhole

Bom, acredito que muitas pessoas hoje em dia usam câmeras fotográficas e fazem fotos lindas, mas não tem o menor conhecimento sobre como funciona a fotografia e como a imagem se forma. Por isso vou fazer esse post ensinando a fazer Pinholes, que são câmeras artesanais e de simples funcionamento. Antes de explicar o passo-a-passo da montagem, vou dar uma breve introduzida de como é a formação da imagem em uma câmera.

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Foto por: Aberlado Morell

O conceito que vamos ver aqui é o da câmera escura, que já era conhecido pelo ser humano há muito tempo, desde a época de Aristóteles. O filósofo grego descobriu que quando feito um pequeno buraco em uma sala escura uma imagem é formada na parede oposta ao buraco, projetando o exterior da sala. Como, por exemplo, a foto ao lado do fotógrafo Aberlado Morell que fez um ensaio fotográfico aonde fotografou diversos quartos com a “projeção” dentro deles. A  câmera fotográfica funciona como a câmera escura a unica diferença é que temos um material fotosenssivel aonde se forma a imagem que registra essa imagem, na câmera digital é o sensor fotográfico e nas câmeras analógicas o filme.

Depois dessa breve introdução sobre como funciona a câmera escura, explicar a Pinhole fica fácil. Basicamente ela é uma caixa escura, com um único buraco por onde vai entrar a luz e do outro lado desta caixinha temos um material sensível a luz, no caso da Pinhole o papel fotográfico (recomendo o papel fotográfico, mas se quiserem experimentar podem usar outros materiais fotos sensíveis como o filme fotográfico).

Como montar a sua Pinhole:

Materiais:

-Uma lata de leite ninho;

-Cartolina preta;

-Cola;

-Papel Laminado;

-Uma Agulha bem fina;

-Fita adesiva;

-Prego e martelo;

– Papel fotográfico (sensível a luz, não o de impressora)

Como montar:

1. Pegue a lata de leite ninho e revista a parte de dentro com a cartolina, colando em todo o interior da lata.

2. Pegue o prego e o martelo e abra um furo na lata, na parte convexa da latinha. É por esse buraco que a luz vai entrar.

3. Cubra esse buraco, pelo lado de fora, com um pedaço pequeno de papel laminado grudando ele nas bordas com a fita adesiva.

4.Agora vem a parte mais importante, com a agulha faça um furo, o menor possível, quase invisível, no papel laminado. Quanto menor for o furo, maior vai ser a definição da sua fotografia. Feito isso a sua câmera esta pronta.

Como usar:

Bom agora vem a parte complexa. Para carregar essa câmera você precisa de um quarto escuro, totalmente escuro ou com a luz vermelha de laboratório. Entrando no quarto escuro retire o papel fotográfico do saco corte um pedaço dele e coloque dentro da sua câmera. Certifique-se que o buraco por onde vai entrar a luz está fechado e não tem nenhuma luz entrando. O PAPEL NÃO PODE TER CONTATO COM A LUZ ATE O MOMENTO DA FOTO. Feito isso vá para o local onde irá fazer a foto, locais abertos de preferencia. Posicione a sua câmera e destampe o buraco e deixe a luz entrar, dependendo do dia você irá precisar de mais tempo de exposição. Em dias claros você pode deixar 10 segundos em dias nublados 15 segundos ou mais. Depois desse tempo, cubra novamente o buraco. A sua imagem esta la dentro. No papel fotográfico, mas se você abrir a câmera para ver a imagem não vai ver nada. Ela precisa ser processada agora, isso quer dizer passar por banhos químicos que vão revelar e fixar a imagem. Eu aconselho levar em um laboratório se for leigo no assunto de revelação, caso tenha um pouco de conhecimento ou vontade de aprender como revelar a sua imagem eu vou deixar um link abaixo (na verdade o link explica como montar a Pinhole também, sugiro ver para ter as imagens na cabeça) que explica quais químicos usar. Você pode ir tirando fotos com a sua câmera e ir guardando em um saco preto e levar várias juntas para revelar.

Foto por: Ricardo Hantzschel (Cidades invertidas)

Foto por: Ricardo Hantzschel (Cidades invertidas)

As possibilidades de trabalho com a Pinhole são infinitas é só ter criatividade. Vou deixar outro link mostrando o ensaio do fotógrafo Ricardo Hantzschel chamado cidades invertidas, onde ele fotografou são paulo só com Pinholes! Quem fizer a Pinhole manda uma foto dela para eu colocar aqui no Blog e se fizerem fotografias com ela mande também!

Sempre que surgir duvidas, sugestões ou críticas, por favor comente!

Veja como montar sua Pinhole!

Ricardo Hantzschel Pinholes!

Gustavo Winther