Fotografia de Cinema – Movimentos de câmera

No Post passado sobre Fotografia de Cinema, eu comentei sobre como uma iluminação pode ajudar a criar um personagem, no caso Walter White,  e fazer ele se transformar durante uma série ou filme. Nesse post eu vou cometar a importância que é um movimento de câmera quando utilizado com um sentido e um propósito, não apenas usado para ser usado, na criação de uma narrativa cinematográfica.

No cinema existe diversas possibilidades de se colocar em cena uma ideia, agora tem vezes em que casamos muito bem a ideia e o modo como colocamos ela em cena. Vamos pensar em um filme, Birdman, que foi o ganhador do Oscar de melhor filme e melhor fotografia, é realmente muito bem utilizado a ideia de plano sequência no filme (plano sequencia é quando algo é filmado do começo ao fim “sem cortes” entre as cenas). A ideia do plano sequência caiu muito bem nesse filme, pois o personagem principal Riggan Thomson, uma Ex-celebridade de hollywood, conhecida por ter feito o papel de um super-herói e agora esta dirigindo uma peça na Brodway, é mentalmente

Foto do filme Birdman

Foto do filme Birdman

perturbado. Riggan, devido a sua fama passada, tem distúrbios mentais e esta sempre conversando com o seu personagem, o super-herói que ele fez no passado, para resolver os problemas da peça. Em certos momentos do filme Riggan tem delírios e coisas inesperadas aparecem no filme. A ideia de plano sequência ajuda a fazer você entrar nesse delírio, pois tudo o que você vê parece ser uma coisa só, é difícil separar o real e o delírio enquanto você esta vendo o filme, tudo parece a mesma coisa. No começo do filme, quando ainda não tinha percebido o padrão de delírios e realidade, eu falava para mim mesmo: “Nossa o cara tem super-poderes”. Enquanto na verdade ele não tinha nada, por esse motivo que eu achei que o recurso foi muito bem utilizado em Birdman, o diretor fez com que realmente ficássemos confusos sobre o que acontecia na telona.

Quando assisti o filme Birdman me veio na cabeça dois outros filmes. Um deles é o Festim Diabólico do Alfred Hitchcock aonde ele utilizou o mesmo recurso de plano sequência, a diferença é que na época (década de 40′) que Hitchcock fez esse filme ele não tinha os recursos para efeitos especiais que nem o Birdman teve, ou seja, fazer o plano sequencia era mais desafiador naquela época. No final o filme tem um resultado extraordinário é realmente muito bom! Não só pela fotografia, mas também pela estória, recomendo fortemente assistir esse filme.

Como eu disse o filme Birdman me lembrou dois filmes, o segundo filme é um filme chamado Iluminados: Os Fotógrafos é um documentário brasileiro aonde foi reunido os diretores de fotografia mais conhecidos como Walter Carvalho, Edgar Moura, Dib Lutfi, Pedro Farkas e outros, e no filme todos recebiam um roteiro o mesmo roteiro e cada diretor tinha que colocar aquele roteiro em imagens, era uma cena bem simples de uma casal, mas o interessante é perceber como cada diretor usou um recurso diferente para fazer a cena. O Edgar Moura, por exemplo, fez um plano sequência da cena, já o Dib ele trabalhou com a câmera no ombro, criando uma proximidade fora do normal na cena, o Walter Carvalho ao invés de investir em movimento de câmera, trabalhou a iluminação de uma maneira diferente e cada cena te faz sentir algo diferente, perceber algo diferente, mas é mesma cena, o que muda de uma cena para outra é como ela foi colocada no telão. Também recomendo assistir esse documentário (por sorte achei um link no youtube e vou deixar no final para vocês).

Como colocar uma ideia em uma cena, essa é grande sacada dos bons diretores, eles sabem juntar a técnica com a ideia, eles não fazem a técnica pela técnica e é por isso que filmes com grandes fotografias atingem as pessoas fazendo elas entrarem no filme e se perdendo nele. Tudo que foi dito aqui vale também para a fotografia estática, o que faz uma pessoa virar um bom fotógrafo? É ela saber colocar as idéias dela em imagens e se ela usar a técnica a seu favor, fazendo o trabalho dela ganhar mais sentido e créditos.

Referencias: 50 anos de luz, câmera, ação – Edgar Moura

Filme Iluminados: Os fotógrafos

Veja também o outro Post da série Fotografia de Cinema

Gustavo Winther

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