A Narrativa Fotográfica – Uma introdução a semiótica de Peirce

Uma imagem pode ter várias interpretações, todas elas verdadeiras. Por que digo isso? Simples: “uma imagem fotográfica é uma mensagem sem códigos” (Roland Barthes). Ou seja, ela te fala tudo o que você precisa saber, sem você precisar saber nada para lê-la. Veja a imagem abaixo do Cartier Bresson.

Você vê uma pessoa andando de bicicleta, uma escada, uma rua, você “entende” a fotografia e sabe descrever a foto, mas a sua interpretação da foto pode não ser a mesma que a minha. Eu posso dizer que ele está fugindo de algo, você pode dizer que ele está se exercitando, e ambas estão certas, pois nós “lemos” a fotografia de acordo com a nossa bagagem de conhecimento. Peirce, um estudioso que passou boa parte da sua vida

Foto: Cartier Bresson

Foto: Cartier Bresson

trabalhando a ideia de comunicação, criou uma tríade sobre a mensagem. Toda mensagem tem 3 fundamentos: primeiro, ela tem o objetivo de dizer algo e faz isso a partir de um signo; segundo, esse signo se refere à um objeto; e, terceiro, esse signo pode ter milhões de significados. No caso da imagem a cima, vamos pegar um elemento para analisarmos. O Ciclista, nessa imagem é um Signo, pois ele desloca a ideia de ciclista. Se você visse um ciclista aqui na sua frente agora ele seria um objeto, pois ele não esta deslocando mais a ideia de ciclista, ele esta deslocando a ideia de alguma outra coisa.  O signo é tudo aquilo que desloca uma ideia. Por exemplo, o meu nome desloca a minha imagem e minha imagem desloca meu nome; no primeiro caso, meu nome é o Signo, enquanto, no segundo caso, eu sou o Signo. Embora Peirce sugira um caminho para a interpretação, esta pode ser muito variada.
Vamos pegar o ciclista novamente. Ele é o signo, ou seja, ele é aquilo que você vê. Este signo se refere ao objeto representado na imagem. Se usarmos como exemplo a bicicleta, esta, por sua vez, gera em cada pessoa que a vê um significado diferente. Ou seja a fotografia está aberta a interpretações de diversas naturezas; não existe a interpretação certa ou errada, o que existe é o fotógrafo inteligente que te levou a pensar algo sem você saber que ele fez isso. Isso acontece toda hora na publicidade; a imagem é feita para te seduzir e induzir você a comprar algo. Quando você menos percebe, você já comprou, e tudo isso acontece porque o fotógrafo soube construir um signo, junto com o publicitário, e te levar a comprar aquilo apenas por “truques” visuais.

A possibilidade de a fotografia ter varias interpretações faz dela um instrumento poderoso. Sábio é o fotógrafo que assume a fotografia como a mentira que ela é, e conta uma mentira muito boa. A narrativa fotográfica é a capacidade de cada pessoa de olhar para uma foto qualquer e a partir dela criar estórias magníficas; é a criatividade em si. Peirce dizia que sempre que olharmos um novo signo devemos nos abrir para ele e sentir o signo, “desautomatizar” um processo chamado de Scanning. Isso é algo que ajuda muito em exposições: você perder tempo apenas sentido o que está vendo. O que a obra de arte traz para você? Quais as cores dela? Que sentimentos ela desloca em você? Se abrir aos signos é o primeiro passo para entender não só as fotografias ou imagens, mas o mundo pela semiótica do Pierce. Desautomatize os seus processos, veja tudo como se fosse pela primeira vez.

Referências: A Mensagem Fotográfica, Roland Barthes; Discussões de semiótica com Fernando Citroni.

Gustavo Winther

Veja Também!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s